30.7.05

AÍ VAMOS DE VACANCES
E pronto, aqui vamos nós de vacances. Durante três ou nove semanas deixamos espaço ao leitor para se entreter e reflectir com os nossos Artigos 03-05, e zarpamos rumo a um merecido descanso.
Para a despedida, em jeito de tabelinha pós moderna, aqui fica um questionário respondido por Augusto Justo para a secção de lazer dos Cahiers de philosophie de l’Université de Caen (tradução do questionado) e outro, respondido por Ghabri El’Alves, para não ficar atrás.























Augusto Justo, acabadinho de pescar um sável nas gélidas águas da costa de Aberdeen.


P&R1: AUGUSTO JUSTO

Onde vai de férias?
Este ano, para não variar, já estou em Aberdeen, onde vou permanecer durante duas semanas. Como é do domínio público, sou devoto do Aberdeen F.C. e não quero perder o jogo contra o Kilmarnock, no próximo dia 6. Para além do futebol, vou aproveitar para ir à pesca e debater o estruturalismo bruto do futebol escocês com alguns treinadores de lá, que me pediram auxílio. Depois, rumarei, com a minha esposa, a umas termas na Gronelândia, para descansar, ler e beber água fria.

Qual o destino mais filosófico onde já esteve?
Estive uma vez na casa do ilustre Gilles Lipowetsky, num jantar. Depois dos digestivos, voltou-se-me o intestino e estive sentado na sentina do grande filósofo. Achei que aquele era o lugar mais reflexivo e filosófico onde já tinha estado. Até ensaiei uma pose à Pensador de Rodin.

Quem convidaria para ir de férias consigo?
Daúto Faquirá e a família Faquirá. Porque o nome dele é muito curioso: parece o tempo futuro do verbo faquirar. De certeza que é pós moderno, com um nome desses. Adoro dizê-lo: Faquirá. Il faquirá du soleil, demain (risos).

Quais foram as suas férias inesquecíveis?
Lagos, Nigéria, verão de 1981. Cacei crocodilos, fui mordido por cobras, ensinei o existencialismo a uma tribo local e tornei-me agente do Peter Rufai.

E quais seriam as suas férias de sonho?
Um mês em Estagira, a ler o Aristóteles local.

Já teve férias de pesadelo?
Uma semana em Zanzibar: nunca estive numa terra sem vultos do pós modernismo, excepto Fafe.

Que tipo de alterações determinam as férias nos seus rituais quotidianos?
Alterações de peso, dada a minha alarvidade alimentar e alcoólica. Por isso que depois de Aberdeen vou improvisar uma ida às termas de Sukkertoppen/Manitsoq, na Gronelândia. Também fico um bocado boçal, durante o estio. É de estar fora muito tempo.

O que nunca dispensa em férias?/ Há algum objecto que o acompanhe sempre nas viagens?
Um corta unhas, marca Inoxerôse, que a minha Idalécia me trouxe de Paris, um retrato de Lyotard e outro de Lobanowsky, bem como o meu pente de tartaruga, marca Pentex.

Que livro e disco vai levar consigo?
A Filosofia Como Ciência de Rigor, de Husserl; London Calling, dos Clash.

Quantos Gigabytes tem de música?
3,1416.

Último CD que comprou?
Piano Sonata Nº8 em Dó Menor, op.13 "Pathétique", de Rudolph Serkin, gravação de 1962. Um disco supinamente bom.

Música que está a ouvir agora:
Refuse / Resist, dos Sepultura.

Cinco músicas que tenho escutado bastante:
Khonnor - Daylight and Delight
Sinead O’ Connor – Nothing Compares 2 U
Tu Metes Nojo – Zé Manel Tai Tai
Wendy Carlos – Clockwork Orange Ouverture
Carlos Paião – Pó de Arroz

Quanto calça?
42, biqueira larga.

A castanha faz parte dos seus hábitos alimentares?
Não muito, dada a sua inquestionável capacidade propulsora. Como sabe, dou muitas conferências.

O facto de ser nacional interfere na escolha da maçã que adquire?
Por regra não. Sou um cidadão do mundo. Mas tenho uma queda para a maçã reineta.

Envia postais a relatar as férias?
Sim, à senhora minha mãe, para ela não ficar preocupada. E, por vezes, envio postais e cartas anónimas (insultuosas e / ou ameaçadoras) ao Quarlos Eirós, mas ele sabe sempre que sou eu.

Quem é que este ano não merecia ir de férias?
Luis Campos.

Costuma ler inquéritos de verão? Porquê?
Só os de revistas filosóficas. Porque são diferentes de todos os outros.


























Ghabri El'Alves (segundo a contar da esquerda, em pé) num jogo de futebol de sete que opôs o seu corpo de docentes de filosofia da Universidade de Al Raman a uma equipa de taxistas de Mortágua.


P&R2: GHABRI EL'ALVES

1- Não podendo sair do Fahrenheit 451, que livro quereria ser?
“A Arte de Viver para a Geração Nova”, de Raoul Vaneigem.

2- Já alguma vez ficou apanhado por uma personagem de ficção?
Sim, pelo Nicómaco, da Ética para o mesmo, do grande Aristóteles de Estagira.

3- Qual foi o último livro que comprou?
Introduction à la Lecture de Hegel, de Kojève. Comprei-o por causa do nome do autor. Dá gosto dizer Kojève, enche-nos a boca, aquele jota carregado. "Ohpá, comprei a Introduction à la Lecture de Hegel, do Kojève". Que gosto me dá dizer isto.

4- Qual foi o último livro que leu?
O Principezinho, de um escritor francês.

5- Que livros está a ler?
A Enciclopédia Einaudi, o Anuário da Federação Internacional de História e Estatística do Futebol, o Breviário da Decomposição, de Cioran, um livro dum escritor chamado Kojève e O Libertino Passeia por Braga, a Idolátrica, o Seu Esplendor, de Luís Pacheco.

6- Cinco livros que levaria para uma ilha deserta?
- Como, Logo Emagreço e Mantenho a Linha, de Michel de Montignac
- Guia Prático de Bricolage em Ilhas Desertas, de Marco Marques
- No Fio da Navalha, de W. Sommerset Maughan
- Questions And Answers About The Silva Method, de José Silva
- Breve História do Futebol Total no Mundo Islâmico, de Abdel Ghany.

25.7.05

PÓS PRÉ-PUBLICAÇÃO DO SUMPTUOSO PRÓLOGO DO LIVRO DO FUTEBLOG-TOTAL




O conjunto de textos que aqui se dá ao prelo é uma súmula do que foram dois anos de profícua actividade filosófico-futebolística. São prosas de inegável valor científico e pós moderno, que espelham o pulsar de uma nova categoria na interpretação fenomenológica do futebol global: a passagem da modernidade à pós modernidade no mundo da bola.
Futebol e filosofia são ciências gémeas, constituidas por aporias e perguntas retóricas. À questão filosófica “o que posso conhecer?”, responde o futebol com “porque é que a bola foi ao poste?”. Ao lado das filosofais interrogações “de onde vimos? para onde vamos?” estão sempre as futebolísticas “como é que perdemos este jogo? porque é que o mister não meteu mais avançados?”. Todas elas são provas que futebol e filosofia caminham juntos de mão dada na construção de um mundo menos canídeo, na tentativa de desvendar os grandes mistérios da Condição Humana. Isto para além de começarem ambas por “F”.
Assumindo, ab initio, a entrada numa total e globalizante era Pós Moderna, urge inverter Marx e dizer, com propriedade, que é importante interpretar o mundo antes de o transformar. É esta interpretação, esta hermenêutica, esta reflexão apurada que o Futeblog Total foi fazendo nos dois últimos anos, pela pena e verve dos seus insígnes autores e alguns leitores. Estes ensaios são, arrisco dizer, uma espécie de best of de uma ágora que, desde três de Julho de dois mil e três, trouxe um novo género de gratificação intelectual a quase quarenta e seis mil leitores àvidos de excelência, tackles, pós modernismo e passes de trivela. É para eles e graças a eles que se publica esta colectânea de dissertações, análises críticas, boutades e mistificações.
Tenho a humilde e sentida certeza, do fundo do coração, que daqui a várias décadas, num retorno às transmissões orais, estes textos continuarão a passar de geração em geração. Imunes à inexorável chama do Tempo.

Bogotá, 22 de Julho de 2005,
Quarlos Eirós

24.7.05

O LIVRO, AS ACTAS e AS FÉRIAS




É com desmesurado orgulho que anunciamos a disponibilização gratuita, com piscar de olho às editoras, da compilação FUTEBLOG-TOTAL - Artigos 03-05, seguida de Actas do Simpósio "A Pós Modernidade no Futebol ou o Medo de Existir".
Ao longo de cento e três páginas, os leitores poderão disfrutar do melhor que se escreveu neste blog desde a sua fundação até aos dias de hoje. Com um grafismo simples e atraente, impresso em caracter Arial, tamanho 12, este livro será um companheiro filosófico das férias de todos nós. Um best-downloader à vossa espera aqui.
Posto este retumbante lançamento, estamos em crer que vamos de férias durante uns tempos.
Nota: esta versão não foi sujeita a rígidos critérios de correcção, pelo que constitui uma "sitação perfeitamente normal" o encontro furtivo com três ou nove gralhas.










O Professor Quarlos Eirós tem o prazer de terminar os trabalhos deste simpósio com uma conferência denominada

O que é a Ciência? Por Alma de Quem é que o Futebol é uma Ciência Ilógica?

Cabe-me a honra de proferir a palestra de encerramento deste magnânime simpósio. Prometo ser breve, até porque pressinto a larica desta mui nobre plateia.
Ninguém espera que um ilustre académico como eu comece uma alocução desta estirpe com uma confissão de calibre idêntico à que me preparo para fazer: durante o saudoso Euro 2000, num acto de fé e devoção, deixei crescer a bigodaça para dar sorte à Selecção Nacional. Nada de anormal, até agora. Calculo que as senhoras e os senhores aqui presentes tenham feito - ou tentado fazer – exactamente o mesmo. Acontece que, momentos antes do jogo das meias finais contra a França, perdi parte do bigode em circunstâncias que não me cumpre, neste espaço, publicitar. O resultado, foi o que se viu. Perdemos, e ninguém me tira da cabeça que, se o que me aconteceu não me tivesse acontecido, teríamos chegado à final e, quem sabe, ganho o Europeu.
Nessa mesma noite – de triste fado lusitano – a minha mulher, Gertrudes Steiner Eirós (para quem peço uma calorosa salva de palmas), recitou-me a Hermenêutica de Wilhelm Dilthey e, discretamente, dissolveu quinze xanaxs na minha habitual botelha de whisky de Sacavém. Quando saí do coma, já ela, Gertrudes, tinha regressado de férias. Mas adiante, isto também não vem ao caso.
Serve este intróito para descrever uma das minhas maiores crises científicas de sempre: eu, um homem da Ciência, um homem cujo nome do meio é “Rigor”, um vitruviano de Alfena, um herdeiro da akademische freiheit, via-me pela primeira vez, desde os tempos de liceu, de costas voltadas à Ciência que eu próprio ajudo a sistematizar, vitimado pelo Mal que ando há décadas a combater: o facilitismo e a crendice no mundo do futebol. Ora, este mundo da bola tem, definitivamente, de ser encarado como um mundo pleno de cientificidade e de rigor. Sob pena de se banalizar, deve ser olhado, de uma vez por todas, como uma Ciência.
E o que é a Ciência? Muitos de vocês dirão que essa é uma questão que perpassa a humanidade desde os tempos em que as galinhas tinham dentes, que é difícil responder e mais não sei o quê. Para mim, tudo isso são balelas. Responder à pergunta “o que é a Ciência?” é quase a mesma coisa que responder à pergunta de que côr é o terceiro equipamento do Dínamo de Zagreb: nada mais básico. A Ciência é o conhecimento teórico e universal. É a epistemologia, meus caros: observação, hipótese, experimentação e formulação de leis. E a filosofia é, logicamente, a Ciência suprema. Pronto, já defini Ciência. Pareceu difícil? Acho que não.
À definição de Ciência estão inerentes sub-definições de Unidade e de Lógica. Há, também, que distinguir os tipos de Ciências que existem por aí fora: experimentais, formais e humanas. Não vou estar aqui a defini-las uma a uma, porque o simpósio está a acabar e tenho já alguma fome. Contudo, detenho-me nas últimas, nas Ciências Humanas, para vos dizer que o seu estatuto é deveras polémico. Para os Positivistas, são efectivamente Ciências como as outras. Para Wilhelm Dilthey, as coisas já não se passam da mesma maneira. Este Klaus Augenthaller da filosofia distingue Ciências da Natureza de Ciências do Espírito, enquadrando nestas últimas as ditas Ciências Humanas e Sociais, que já não se baseiam na verificação lógica da experimentação, mas antes na interpretação das intenções humanas. Mais longe ainda vai Rufolf Carnap que, tal como Neno, Cadete e tantos outros, também tem uma escolinha. Os trabalhos da sua Escola de Viena concluem que a lógica da Ciência está suficientemente madura para se libertar da filosofia e constituir-se num domínio científico próprio. E que resta à filosofia? Apenas os problemas metafisicos: qual a causa primeira do mundo, qual a essência do nada; problemas esses que Carnap apoda de pseudoproblemas, desprovidos de qualquer conteúdo científico.
Ora, e o que é que eu tenho a dizer a estes Dilthey e Carnap? Sinceramente, digo-lhes que estão equivocados. Que se enganaram. Rio-me deles. E rio-me avançando com uma categorização que julgo, humildemente, ser a mais correcta: a que categoriza a Ciência em três ramos: o ramo das Ciências Lógicas, o das Relativamente Lógicas (ou Mais ou Menos Lógicas) e, last but not least, o ramo das Ciências Ilógicas.
Nas Lógicas, englobo as experimentais e as formais. Nas Relativamente Lógicas, as chamadas Ciências Sociais, com especial enfoque na Sociologia, no Pedicurismo e no Direito. Nas Ilógicas, englobo, entre outras, a Astronomia, a Contabilidade, a Enfermagem e o Futebol.
E por alma de quem é que o futebol é uma Ciência Ilógica? Sendo, mais uma vez, um hábil pragmático, posso afiançar-vos que talvez seja pela alma de José Romão. Depois da sua grande frase “Manietámos o Alverca”, o treinador, então belenense, justificou uma derrota inesperada com “A” frase reveladora: “jogámos melhor, tivemos mais oportunidades, dominámos o jogo, mas acabamos por perder. Sabe, isto prova que o futebol é uma Ciência Ilógica”. É palpável a colossalidade deste ensinamento de Romão: o Mestre explica a ilógica do futebol científico dizendo que a uma aplicação de um método e de um discurso científico nem sempre resulta uma verdade universal. Ou seja, observação do adversário, hipótese de exploração de deficiências no sector defensivo, experimentação nos treinos e formulação de tácticas infalíveis para o jogo e sai tudo ao contrário sem se saber porquê. Falta, portanto, o elemento lógico dedutivo para que o futebol seja uma Ciência Lógica ou Mais ou Menos Lógica. Agora, meus caros, não é por isso que deixa de ser ciência. Resta, sim – e para percebermos porque é que o futebol é verdadeiramente uma Ciência Ilógica – acrescentar um elemento à tetralogia “observação, hipótese, experimentação e formulação de leis”: o paio, a sorte do jogo, a estrelinha. É este elemento que dota o mundo da bola de uma índole ilógica. Pode parecer confuso, mas não é. Tudo isto é justificado pela inclusão do mais elementar elemento científico-ilógico: o feeling. E o feeling, tal como o futebol, é isto mesmo: eu não consigo justificar, mais do que o que justifiquei, porque é que o futebol é uma Ciência Ilógica. Mas tenho um feeling enorme que é por causa disto que acabei de explicar.
Pelas vossas caras, creio estarem com fome, ou então, surpreendidos com esta teoria. Isso não me surpreende. Eu também tenho fome. Mas deixem-me terminar com uma frase pertinente, que vos deve pôr a cogitar durante os próximos meses: a sintaxe táctica é tão somente a matemática do futebol.
E pronto. Está terminada a minha alocução, está terminado este simpósio.
Obrigado pela atenção, dispenso as palmas, vamos aos morfes.

21.7.05

Georghe Hagi presentate insigne conferenciatur simposium post modernica ad Portugalica’s blog Futeblog-Total.











Beneficiind de o bogata experienta manageriala acumulata de-a lungul timpului, la 45 de ani, Helmut Duckadam, supranumit "Eroul de la Sevilla", impreuna cu toate echipele Steaua Buchuresti - intre care cele de seniori, tineret si juniori - angajate in prestigioase competitii FIFA si UEFA doresc, desigur, sa ofere si in actualul sezon motive de mare satisfactie post modernica filosofica de sustinatori fideli. Iar, prin acest site, o imagine de ansamblu, bogata si in detalii documentare, prin care iubitorul de fotbal de pe intreg globul sa poata afla, defendet catre penalticesc in orice moment, orice l-ar interesa din seculara existenta a fotbalului romanesc.Vă rugăm să comunicaţi cluburilor sportive din cadrul judeţului Silviu Lung, cu echipe participante în campionatele organizate de Federaţia Română de Fotbal, următoarele în conformitate cu status post modernica heritur Helmut Duckadam şi transferul jucătorilor de fotbal, pentru exercitarea dreptului de joc este necesară obţinerea vizei anuale, conform modelului anexat.

15.7.05

Prelecção do Doutor Ghabri El'Alves ao público presente no Simpósio comemorativo do segunto aniversário do Futeblog-Total.



Doutor Ghabri El’Alves
Doutorado em Filosofia pela Universidade de Al-Raman, com a dissertação “O Pós-Modernismo no Futebol do Magreb Pré-Islâmico”,
Presidente vitalício do Instituto Magrebino de Altos Estudos Pós-Modernos no Futebol Islâmico (IMAEPMFI),
Member of the Board do International Post-Modernist Soccer Fund for Developing Countries,
Pederasta,

apresenta

Camarões vs. Argentina ou O Prenúncio do Pós-Modernismo no Futebol Sub-Saariano


É com incontida emoção que inicio a minha colaboração com esse grande e admirável fórum que é o “Futeblog Total”. Desde que me foi endereçado o convite, entre duas sandes de coirato e um traçado num coffee-break de um dos workshops preparatórios do simpósio comemorativo do 2.º aniversário, em Montalegre – no qual participo graças a um amabilíssimo convite do Professor Doutor Augusto Justo (meu conhecido, aliás, da Universidade de Al-Raman, onde muito nos prestigiou aceitando o cargo de professor convidado) – que não contenho a ansiedade. Devo dizer, em abono da verdade, que nos últimos três dias mal dormi e só consegui levar à boca uma buchazinha de sandes de frango com pimentos comprada num quiosque de duvidosa salubridade à entrada da faculdade.
O objectivo declarado do Professor Doutor Augusto Justo ao convidar-me para dar o meu modesto contributo neste grande fórum é, sem dúvida alguma, nobre: trazer novas perspectivas ao estudo do pós-modernismo no futebol, nomeadamente através do combate ao eurocentrismo – combate que na historiografia vem sendo travado desde os “Annales”, mas que tarda em chegar ao mundo do futebol.


Kamikazes e Camarões: quem foi o quê no Itália 90?

Nesta linha, proponho ao gentil público a análise de um dos momentos fundadores (havendo mesmo quem veja nele o turning-point ) do pós-modernismo no futebol sub-saariano: o jogo inaugural do Mundial Itália ’90 entre os Camarões e a Argentina.
Gravado a letras de ouro na memória colectiva está esse grande momento de afirmação da África pós-colonial e pré Kumba Ialaiana. A frieza da estatística revela-nos ter-se jogado no Giuzeppe Meazza, em Milão, na solarenga tarde de 08 de Junho de 1990 mas o que se passou em campo foi muito mais que isso.
Mais do que a Davidiana exibição camaronesa contra o fraco Golias sul-americano, o ponto que prenunciou o advento do pós modernismo no futebol sub-saariano foi a brilhante táctica do “torpedo africano”, introduzida pelos selecção dos leões, e que não mais saiu dos grandes manuais de futebol africano, seguidos em todas as academias de futebol do terceiro mundo, de Cidade do Cabo a Alcochete.
Escassos minutos antes do golo redentor com que François Omam Biyick (aos 67’) calou todo um continente que ainda sonhava viver na sombra do decadente Diego “El Charro” Maradona, numa prova de abnegação extrema e amor-pátrio desmedido, Andre Kana Biyick, ante a perspectiva de isolamento de um jogador argentino, lançou-se desenfreadamente na linha da trajectória deste e, quando o esférico já estava a mais de cinco metros, literalmente torpedeou-o, projectando o para fora das quatro linhas. O jogador, numa quase religiosa atitude, ergueu-se da relva e saiu calmamente do relvado com um sorriso digno da escola cínica da saudosa Grécia de Sócrates, Heraclito e Charisteas.
O efeito moralizador desta prova de abnegação foi imediato – seis minutos depois, Oman Biyick fazia levantar todo um continente com um golo de belo efeito.
Mas não é tudo. Numa demonstração de frieza táctica e disciplina férrea, a selecção camaronesa soube esperar pelo momento certo para aplicar uma vez mais a sua temível e mortífera táctica. Nos últimos 15 minutos de jogo, a Argentina literalmente bombardeava o último reduto camaronês, utilizando a conhecida táctica ocidental do “chuveirinho”. Todos temiam o pior. Mas mais uma vez, o “torpedo africano” não perdoou: aos 89 minutos, Benjamin Massing, qual chita em savana livre, lança-se sobre um médio argentino, deixa o prostrado no relvado contorcendo-se de dores, recolhe a sua chuteira que saltara com a violência do embate e sai lentamente do relvado, também com um leve sorriso, crivado de cinismo, sem sequer esperar pelo cartão que o juiz francês Michel Vautrot haveria de lhe mostrar segundos depois.
Hecatombe. Drama. Perón humilhado e o tango argentino desfeito.
O que veio a seguir todos conhecem: Mandela libertado, Kumba Ialá no poder, José Peseiro no Sporting.
Os camarões venciam. O campeão do mundo tombava aos pés do continente esquecido.


Augusto Justo e Ghabri El'Alves: os rostos da alegria no Futeblog Total 2005-2006.

Minhas senhoras e meus senhores:
Um simpósio é sempre feito de surpresas. Como as equipas que, na pré época, anunciam os seus reforços, como as universidades contratam lentes a torto e a direito, como as empresas aliciam competentes trabalhadores, também nós (ovação)... também nós temos um trunfo na manga (quatro palmas de uma senhora da assistência). O Futeblog Total tem um novo vulto, um verdadeiro pensador (alguém não identificado pia quatro vezes), um xamã da filosofia pós moderna. Um nome que vai passar a colaborar connosco, a ser um de nós (Quarlos Eirós canta o "Só, só, só mais um"), a pensar por nós. Ele veio para falar, ele veio para ficar. E vai ensinar-nos o que foi o prenúncio do Pós-Modernismo no futebol sub-saariano. Sem mais delongas, o novo Caniggia deste blog,

Ghabri El'Alves.

(uma ovação de pé durante um quarto de hora, hino do Futeblog Total a ecoar na sala, Quarlos Eirós chora de comoção e voltam a ouvir-se dois tiros, enquanto Augusto Justo e Ghabri El'Alves trocam um abraço de oito minutos. O simpósio estava, definitivamente, a chegar ao fim)

14.7.05











Os militaristas José Cavra e Gilberto Mandamil foram os antepenúltimos oradores do mega simpósio do segundo aniversário desta ágora. Aqui fica a sua prelecção.

Senhoras e senhores, gente do futebol em geral, pós modernos em particular. É com grande ufania que estou aqui diante vós, neste dia tão importante que é o aniversário do Futeblog Total. Obrigado, Professor Doutor Augusto Justo por endereçar o convite à Malta da Tropa, para orar em tão nobre gala, você é um abnegado! E perguntam vocês: “Porque é que Augusto Justo é abnegado?” Meus amigos Augusto Justo é a personificação da pós modernidade, Augusto Justo fez mais pela pós modernidade do que todos nós juntos. “Augusto! Augusto! Justo! Justo!” (AJ levanta-se e recebe a uma sentida ovação) Certo dia o pensador Millor Fernandes afirmou que o futebol era o ópio do povo. Pois bem, hoje podemos referir o pós-modernismo como o ópio do futebol. Como seria encarado o desporto rei sem as portentosas figuras de um Marco Almeida, um Diogo Luís ou um Tonel? Algo de insonso , sensaborão, insípido. Enfim, um lote infindável de adjectivos que fariam o mestre Gabriel Alves ficar com água na boca. O pós-modernismo tem, como seus principais alicerces, factos que, por vezes, nos passam tão despercebidos como a passagem de Frank Rijkaard pelo Sporting. Ora é fácil para o adepto relembrar com saudade as míticas declarações do candidato à Câmara Municipal de Palmela, Octávio Machado, interagindo com todos nós para avisar da constante perturbação provocada pelos “Big Ladens”. Eu próprio não escondo a lágrima no canto do olho ao referir as sessões terapêuticas (ou nem tanto) oferecidas por Peter Schmeichel aos defesas da sua formação após um golo sofrido. Não ouso, no entanto, divagar sobre as contínuas tentativas de Brian Deane para tratar a bola por tu, pois para isso precisaria de discursar em mais 5 ou 6 simpósios promovidos pelo Augusto. Costumo dizer no seio do meu grupo de amigos e familiares que o futebol não é uma ciência exacta. Normalmente sou mandado calar com frequência nessas alturas, mas, nesse caso, dirijo-me de cabeça erguida para um banco de jardim com um livro de poemas de Ary dos Santos numa mão e com a biografia de Lazlo Boloni na outra. Dissecar o pós-modernismo exaustivamente é algo que não me atrevo a tentar, pois é difícil explorar de forma tão determinada o que é subjectivo. Porém não me canso de falar regularmente das destemidas saídas da baliza de Ivica Kralj (de meter inveja a Labreca) ou de repescar nas entranhas do futebolês a solidez entre os postes de Carlos Bossio. Ainda há relativamente pouco tempo fui interpelado em Leça da Palmeira por meia dúzia de idosas que queriam observar a apresentação da minha teoria acerca da limpeza do equipamento de Tamagnini Néné. Depois desta quantidade industrial de deambulações por esse mundo fora, é com satisfação que constato que ainda tenho muito mais a descobrir no que toca à vida desportiva. Confesso que ainda não consigo compreender casos como a queda livre de jogadores como Diogo Luís ou Akwá ou o súbito desaparecimento do mapa de craques como Gil, vencedor do Campeonato do Mundo de juniores em Lisboa. A presença assídua de Nuno Gomes dentro das quatro linhas é outra coisa que me remete para uma reflexão profunda. Um dos conceitos que mais me fascina é sem dúvida o do chamado “tosco”. O “tosco” está para o futebol como Sigmund Freud para a psicanálise ou como os Monty Phyton para a comédia “nonsense “. É o indivíduo que mais facilmente consegue soltar o riso da malta, sem que para isso tenha de recorrer à arte e audácia. É aquele sujeito que nos faz dizer “se a bola fosse quadrada, ele seria muito bom”. Apesar de ser um apetecível alvo de piadas, ele está sempre lá para animar o nosso quotidiano. O futebol inglês tem uma admirável quantidade desta espécie. Como exemplos dentro das nossas fronteiras podemos apontar expoentes nesta área como Karadas e Hugo. Muito obrigado, mas já nos estão a fazer sinais. O tempo deve ter ido acabar e a malta quer ir para os comes e bebes. Não se esqueçam de passar pela recepção e pedirem a vossa K7 do jogo das meias finais da taça entre o Vitória de Setubal e o Boavista.

8.7.05










O excelso Doutorando Mestrando BONIFÁCIO DESFAÇO expõe, perante um público ávido de saber, de gnose e de ciência filosófica


A INFLUÊNCIA DOS ASTROS NA CARREIRA DE UM FUTEBOLISTA
OU UMA ANÁLISE ANTROPONÍMICA/FÁCIO-CAPILAR


Exmo. Senhor Presidente do Futeblog Total, meu Amigo Agusto Justo, Exmo representante da Alta Autoridade para a Comunicação Social, ilustres conferencistas, ilustres individualidades, minhas Senhoras e meus Senhores:


É consabido que os astros, nomeadamente as estrelas (de)cadentes têm particular influência na formação de uma carreira desportiva. Na verdade, estudos gnósticos apurados realizados pelo singelo escriba destes linhas demonstram à saciedade que o momento do nascimento de um futuro futebolista é que determina se o mesmo vai ser um novo Maradona ou o novo Serifo. Se as constelações estiverem devidamente alinhadas, a criança pode vir a ter apenas metro e meio de altura e ser mais gordo do que um texugo, que mesmo assim nada o vai impedir de se tornar no maior futebolista de sempre a nível mundial, quiçá sul-americano. O inverso fará com que um Adónis de metro e noventa faça o Fernando Aguiar parecer um artista plástico do pontapé da bola.

A influência das estrelas revela-se ainda nos nomes míticos que esses jogadores vão tomar. Mais importante ainda, revela-se nos capilares e nos “facies” dos artistas. Uma pesquisa metódica feita aleatoriamente nos jogadores abaixo descriminados não deixa margem para dúvidas. São eles José René Higuita, Roger Milla, Ronaldo de Assis Moreira (Ronaldinho Gaúcho) e Marco António MirandaTábuas.

O primeiro, colombiano. A Colômbia é um país fértil em acontecimentos astrais, sobretudo nos campos de papoilas. Esse facto, por si só determinou um nome tão sonante como este. Como as papoilas de que estamos a falar não são saltitantes, mas alucinantes, o menino René logo que pôde deixou crescer farta cabeleira encarolada, ou dito de forma mais adequada, enrolada. Não contente, pois a cosmografa impõe-se ao bom senso, já homem feito foi autor de façanha digna de figurar nos anais do futebol. Estou, como se recordarão, a falar da célebre finta falhada a Roger Milla e que ditou o afastamento da sua selecção do Mundial. Como Higuita nasceu com os apêndices cranianos virados para a Lua (mais uma vez, o cosmos a governar o caos), o seu destino não foi terrível, como o seu colega de selecção que marcou um autogolo. Fosse outro o alinhamento de planetas aquando do seu nascimento e Higuita seria certamente empalado em Bogotá. Os mais cépticos dirão que Higuita escapou a um destino trágico por ser compimcha de Pablo Escobar, mas nós, os estudiosos sérios, recusamo-nos a alinhar em teorias da conspiração.


O segundo tem a sua carreira umbilicalmente ligada a Higuita, como se referiu. Como sabemos, África é um continente famoso pelos seus fenómenos celestes, que fazem com que crianças de 10 anos pareçam homens de barba rija, aparentando 30 anos. Dizem as más línguas, mais uma vez desprezando autores afamados como o pobre signatário deste estudo, que o registo civil nesse continente não existe. Nada mais falso. Com a sua consciência cósmica sobredesenvolvida, os africanos sábios registam as suas criancinhas apenas quando há dez mudanças de Lua. Bom, mas isso são outras contas. Roger Milla, com quarenta anos, participou no seu último mundial. A cara, essa era a de um menino. Ora, aqui se prova o toque estelar. Milla é o único africano da história a aparentar ser mais novo do que a idade real. Dái os dentinhos da frente afastados, qual adolescente, quando, depois de marcar o tal golo a Higuita, sorriu para o Mundo.


Pondo agora a tónica naqueles que viram os astros traçar-lhes o “facies” e a cabeleira, um nome ecoa. Ronaldinho Gaúcho. Um dos jogadores mais feios da sua geração, com os piores dentes das últimas dez. Junte-se uma farta cabeleira e o nome idiota. Raras vezes os corpos celestes são tão exuberantes e eloquentes. Quando se conjugam estes três vectores, só pode resultar numa coisa – o escolhido torna-se o melhor jogador do Mundo, quiçá do Brasil.


Não se pense que a cosmologia é apenas aplicada aos outros. Por cá temos bons exemplos. Marco Tábuas é um caso gritante e estudado nas melhores escolas. Provavelmente concebido em dia de eclipse lunar, Marco nasceu no seio da família Tábuas. Tais factos conjugados, resultaram naquela peculiar carantonha esgroviada. Não fosse este autor ser sério, utilizaria certamente o trocadilho fácil, dizendo que aquela cara foi fruto de umas bordoadas com uma tábua... Ora, o que os dois astros em comunhão reservaram para este jogador? Pois claro, o posto de guarda-redes. Qual a melhor posição no rectângulo de jogo para assustar o adversário com um esgar do que essa? Imagine-se, se for possível, o Setúbal a defrontar o Inter Milanês. Adriano isola-.se, vai rematar. Outro qualquer guarda-redes provavelmente sucumbiria ao síndrome Fernando Mamede, vulgo borra, conformando-se com o seu destino. O nosso /case study/ ao invés, arreganharia a bocarra e o efeito seria uma espécie de buraco negro que engoliria o remate de Adriano, fazendo com que o mesmo fosse desviado para fora. Pena é que os olheiros deste mundo não sejam crentes o suficiente nestes fenómenos do oculto para o colocarem nas melhores equipas.


Este estudo já vai longo, mas não seríamos honestos o suficiente se não mencionássemos o paradigma Mamadu Bobó. Os escolásticos não conseguiram ainda decifrar um toque cósmico na conjugação impensável antropónimo “facies”qualidade futebolística. Os positivistas dizem que essa conjugação é por demais evidente. Confessamos termos inicialmente professado a segunda destas correntes. Todavia, uma dúvida nos assolava. Como poderia ter sido atingida semelhante perfeição, sem intervenção divina? Mamadu é, de per si, suficientemente arrebatador. Mamadu Bobó significa já a passagem do cometa Halley em dia de Lua Cheia, no preciso momento em que a senhora Bobó tinha a última contracção. Mamadu Bobó, com aquela fisionomia impressionista e quase barroca é o Santo Graal desta Ciência. Se a isto se juntar a sua genialidade futebolística dodecafónica, transcendemos da Ciência para o divino. Daí que tenhamos feito o mais duro e impensável trabalho de campo para tentarmos entender o mistério do Bobó. De passagem pela Stonehenge lusitana, também conhecida por Caldas da Raínha, descobrimos que afinal Mamadu Bobó e fruto de uma relação pouco bíblica entre um canalizador local e uma crioula, nos tempos da guerra colonial. O jovem guerrilheiro luso, com medo de, depois de voltar a Portugal, não reconhecer o seu rebento, resolveu dar-lhe um nome inconfundível. Na sua inocência, não poderia adivinhar que iria começar involuntariamente uma guerra intelectual e científica mais acérrima e sangrenta do que a que discute qual dos gémeos Calheiros é mais parecido com o mano Carlos.

7.7.05











O Professor Dupont tergiversa sobre um tema há muito esperado nestas lides:



O LEGADO DE ANDRÉ "CAXINEIRO"

António dos Santos Ferreira André veio a este mundo no dia anterior aquele em que os cristãos celebravam o 1957º aniversário do nascimento do carpinteiro da Galileia. Talvez a proximidade da data o levasse a aderir ao clube daquela terra que tem no Pescador da Galileia o padroeiro. Não sabemos.
O que é certo, é que André rapidamente se inspirou nas teorias pós-modernas que aprendera nas noites culturais das tascas das Caxinas e, muito antes de Lipovetsky, tratou de criar uma nova era do vazio na pesca da sardinha, pela utilização de uma inovadora energia mental. Infelizmente, o pessoal tripulante do barco de família não esteve para o compreender, quando André fazia a apologia da aplicação da entropia naquela área. André percebeu que estava fora do baralho da sueca lá do café quando alguém lhe lembrou «Enguia? Bem me parecia que eras um pescador de água-doce»
Transtornado, refugia-se na igreja da Senhor dos Navegantes, onde, com ajuda do Pe. Domingos, forma uma banda de música que fazia o encanto do senhor Padre… Mas, André, queria mais. O desconstrutivismo crescia a olhos vistos dentro da sua cabeça, a esse tempo ainda capilarmente protegida.
Foi então que encontrou João Morais, o herói lagarto de Antuérpia, definitivamente acantonado como porteiro do mercado de Vila do Conde. Fascinado pelas lições do mestre que havia dobrado de dor o Rei Pelé, André rapidamente aprendeu aquilo que iria intitular «Que se Lixe Derrida! Quero a desconstrução binária ao serviço do Homem. A explicação prática deste pioneiro esquema filosófico apresentou-a quando o chamaram ao Varzim SC, o clube que o havia de catapultar para os lendários anais da erudição caxineira. Em campo, ficaram famosas as suas famosas máximas: «se não partes a bola, parte o jogador», «primeiro o joelho, depois a bola» e, o créme de la créme, «a tua mãe é bem melhor do que tua irmã».
Pouco depois, André ascende ao Olimpo da sua particular visão desconstrutiva: as Antas, onde o capelão Pinto da Costa protegia as tropas do FC Porto. André não perde tempo em criar a internacionalmente renomada «Escola da Bila» e rapidamente arranja um sucessor e seguidor: o seu conterrâneo, Paulinho Santos. Phd. Não satisfeito, abre uma excepção geográfica para o jovem defesa Jorge Costa.
Mergulhado num mundo narcisista e pouco dado a estudos motivadores, André continua as suas leituras de Habermas e Lyotard, que haveriam de levá-lo a esse momento mágico da final da Supertaça de Futebol, decidida por pontapés da marca de grande penalidade. O seu FC Porto disputava o título com o outro clube que continuava na fase socrática do «eu só sei que nada ganho». André marca o seu penalty e Hélder, do SLB, avança para marcar o seu. Se falhasse, o Porto venceria imediatamente. E o jogador encarnado fica da cor de camisola quando falha rotundamente. A genialidade de André seria revelada no flash-interview, pelo desconstruído Hélder: «Quando ia a passar por mim, o André disse-me: “vais falhar, preto filho-da-p**a”. E eu desconcentrei-me, pá…»
O caxineiro haveria de continuar as suas teses radicais, sempre com a desconstrução em primeira plano. «Agora não sou André; desdobrei-me em António André. E, há cerca de um ano, dava uma entrevista ao jornal local «Terras do Ave», onde voltava a aproximar-se de outro grande pensador que havia influenciado a sua pouco conhecida faceta niilista: «sou caxineiro puro, puro». Relembram-se da desconstrução binária? Ei-la de volta. É claro que esta raça dos «puros, puros» só tem algum cabimento na construção desse mito do super-homem que André, secretamente, sempre desejou e Nietszche havia teorizado. Daí o desprezo, em campo e na vida, que André, desculpem, António André, sentia pelos jogadores adversários, impuros aos seus olhos, todos candidatos a um autógrafo seu, especialmente no seu local de preferência, o joelho.
Hoje, André, desculpem, António André, repousa sobre as resmas de folhas de apontamentos, em cujas bordas aponta a pontuação do jogo diário de sueca que joga no café de tendências líricas, «Clave de Sol», o que faz depois de sair do centro de estágio de V.N. de Gaia, onde lecciona, e de almoçar em frente ao mar, em Vila do Conde, no restaurante mais desconstrutivo da cidade, o «Crisupa», nome que brotou dos nomes “Cristina”, “Susana” e “Patrícia”. O tempo ainda lhe há-de dar razão.
António André, o verdadeiro homo-génio.

6.7.05











Um dos melhores momentos deste Simpósio foi a intervenção, via satélite, do Mestre José D’Alcouce y Dafundo, microeconomista de Macau. Pautada pela rapidez (por questões do já célebre "tempo de satélite"), a alocução de Y Dafundo dá-nos a entender que a Pós Modernidade no futebol em terras de Rocha Vieira, também já nasceu.


O (IN) FORTÚNIO DE EZEQUIEL BORRA BOTTAS
OU OS MILAGRES DO NEOCONFUCIONISMO


Este texto é uma singela, mas significativa homenagem a esse herói esquecido do futebol do Oriente. Por ocasião do segundo aniversário do Futeblog Total, pretendo iluminar os pós-modernos com a luz neoconfucionista do futebol praticado em Macau.
Ezequiel Borra Bottas era um jovem ainda imberbe quando chegou a Macau. Oriundo do Sul da Metrópole, de uma aldeia perto de Elvas, Ezequiel, Er Tzi Kel para os chineses, tinha um traulitar meio castelhano. Aliás, os colegas da PSP de Macau chamavam-lhe o “Di Stefanno” de Hac Sa, (Bairro da areia Preta, na zona norte de Macau). Isto porque nos jogos do campeonato da primeira divisão de futebol, Ezequiel fintava s duas equipas e depois chutava para onde estava virado. Um dia, num jogo contra os serviços de Alfãndega, mandou a bola para o Tempo de A Ma, a uns bons 300 metros do campo do Canídromo. Confundido e atónito exclamou alto e bom som “Estoy Confúcio”.
Depressa, os jogadores da equipa adversária e rival prostraram-se no Relva iluminados pela reencarnação do mestre da China antiga. Sem grande discussão, até porque Ezequiel só sabia dizer “Tshek Oi” e “M goi” em cantonense, os jogadores decidiram adoptar a filosofia de jogo de Ezequiel. Uns anos mais tarde, Ezequiel apercebeu-se que tinha estado na origem da filosofia neoconfucionista do futebol de macaense. Sem saber como lembrou-se das sábias palavra do Mestre Confúcio: “O que sabemos, saber que o sabemos. Aquilo que não sabemos, saber que não o sabemos: eis o verdadeiro saber”. Ainda hoje, a PSP e os Serviços de alfândega ganham campeonatos, sem saberem bem como... Mas mais ninguém conseguiu enviar a bola do canídromo para o Templo de A Ma.











João van der André, Professor da cadeira de Relatividade Técnica do 4-4-2 na Universidade de Delft, apresenta

SIM, ISTO É CIÊNCIA

É com enorme prazer que honro o convite que me foi feito pelo prezado Prof. Doutor Arqº. Augusto “Bifanas” Justo para escrever neste blogue. Sem dúvida que o cumprimento do segundo aniversário do Futeblog Total é um momento de assinalável grandeza, justificável por si só de uma tese de doutoramento pela Universidade Nacional de Dnepropetrovsk. O blogue assumiu já uma grandeza tal que mereceu que eu aceitasse este convite para escrever algumas linhas sobre a pós-modernidade futebolística, numa visão que, estou certo, será imediatamente objecto de uma requisição civil por parte de governos de diversas partes do mundo para ensinar nas escolas de treinadores, inclusivamente por parte dos Zés Mourinhos, Meirins, Couceiros e Peseiros.

Bom, feito o intróito, fica a indecisão. Sobre que assunto derramar o meu extenso conhecimento do mais pequeno pormenor futebolístico que seja? Sobre o uso de vernáculo pelos nossos heróis dos relvados? Sobre os clichés – palavra fabulosa de origem já mí(s)tica que merece ser considerada, de per si, um lugar comum – que pululam no futebol português? Bom, ficar-me-ei por um assunto que tem ocupado mentes brilhantes desde há várias gerações e que nunca foi explicado com completa clareza. Claro está que no final das minhas pequenas linhas, escritas entre uns sorvos de Grolsch meio morna e umas dentadas numa sandes de atum, qualquer aluno reptente da quarta classe estará em condições de arrumar com o infame Gabriel Alves para o banco, ainda que não possam, por ora, competir com a grandeza intelectual de um Rui Tovar. O assunto? Aqui fica na expressão incomparável pronunciada pelo meu pai, um Heidegger nunca reconhecido: «Porque car***o é que os gajos teimam em marcar cantos curtos?».

O tema é assim a utilidade pós-modernística do canto curto perante o tradicional cruzamento directo para a área. Sabendo-me superior aos autores deste blogue em praticamente qualquer assunto excepto na área da filosofia, limitar-me-ei a enunciar a minha sabedoria na área das ciências exactas – à excepção da geometria que, qualquer miúdo do nono ano sabe que a única certeza que dá é a da nega, ou não tivesse sido tocada por um filósofo.

À pergunta sobre a utilidade do canto curto, devemos responder com outra: qual o desenho quântico da colocação dos jogadores no momento da marcação do corner? Ora bem, sabendo que a física quântica é caracterizada pela estatística, não pela certeza – já o diziam o meu tio-avô alemão, Werner Heisenberg, e o meu primo britânico em terceiro grau, Paul Dirac – o que leva a que as certezas sobre os méritos que envolvem um canto tradicional sejam chutadas... precisamente para esse lado. Ora bem, na circunstância da forma unidimensional da expressão de Schödinger, que governa o movimento da bola para a área, podemos observar que um canto curto poderia cumprir a mesma função sem dificuldade, bastando para isso aplicar-lhe o seu equivalente físico: a notação de Dirac – excelente médio centro pelo Cambridge, de grande rigor táctico e excelente sentido estratégico – o que explica de forma fácil a preferência de diversos internacionais renomados pela chamada opção curta.

A excepção, como não poderia deixar de ser, vem do campo dos relativistas teóricos, para quem o espaço é curvo e a opção pode e deve passar sempre por um canto curvo, cesgado à baliza, numa tentativa do desvio ocasional – ou de vacança. Um dos maiores autores deste campo do conhecimento, António Morais, conseguiu inclusivamente ser o responsável pelo prémio da UEFA ganho pelo Grémio Relativista de Alvalade em 64, graças à sua dissertação sobre a curvatura em espaço prolongado de um objecto esférico a partir de ângulos fechados.

Há ainda o campo dos físicos mais recentes, como nos últimos anos João Magueijo no Imperial College de Londres ou um dos seus inspiradores, Heitor, brilhante professor brasileiro da Universidade dos Barreiros, no Funchal, para quem um canto ou um livre directo possuem a mesma entropia e levam o ponto –a bola – a deslocar-se a velocidades mais rápidas que a luz. Esta teoria, algo contestada porque pouco prática e difícil de aplicar ou até mesmo de explicar, tem ainda um revés que a torna pouco popular: é capaz de rebentar a cabeça do estudante mais aplicado ou do defesa mais arrojado. Pode, no entanto e em situações muito específicas, explicar tanto o Big-Bang como o facto de só ser necessária a coragem para meter a cabeça durante um canto para marcar golo. Pouco popular e prática, é certo, não terá a elegância de um E = mc2, mas não deixa de apresentar méritos.

Fica então dada a explicação simples e inequívoca para o fenómeno do canto curto, o que, creio, vem terminar de vez com este debate. Caso continuem a querer debater o assunto só vos posso recomendar uma viva leitura dos meus artigos na Annals of Football Physics.

Sem mais, fica o meu erudito amplexo com a esperança de nos vermos no próximo ano em Estocolmo.

5.7.05









O Sr. Prof. Dr. Nicolau Zebedeu, PhD., MbA., UmM, apresenta


O NOME DA COISA. A COISA NO NOME. *

Se a pós-modernidade não se chamasse pós-modernidade não seria pós-moderna (Rubizedinski in Coiso, pag. 5735, mais ou menos a meio).

Ocorreu-me esta mítica frase do não menos mítico autor, escrita no ainda não menos mítico livro quando recebi o (escandalosa e incrivelmente ainda não menos mítico) mail do meu amigo e camarada Justo.

O que é a pós-modernidade senão um nome? Os nomes das coisas não serão importantes? Porque é que estou a fazer perguntas à toa? São tudo questões que deixo no ar.

Também na pós-moderna Segunda liga há talentos escondidos no que toca à pós modernidade do nome das coisas.

No Olhanense evolui um atleta de Nome “Toy”. “Toy” está para além da pós-modernidade. Passo uma média de cinco horas diárias a reflectir sobre o porquê de alguém a quem os paizinhos deram a graça de Vítor Manuel querer que o tratem por “Toy”. Assim mesmo. Com ípsilon. Porquê? Porquê? Não percebo. Quanto mais reflicto mais se acentuam duas teses profundamente antagónicas: a de que o possante futebolista das escolas do Benfica é fã de música parola e por isso não se importa que o confundam com o “Ogre de Setúbal”. Ou que era um fã do cão do Bocas, esse simpático Boi que em desenho animado passava nas tardes do 2º canal nos idos de 80. Qualquer das teses não é agradável, embora o cão do Bocas cantasse bem melhor que o Desastre Sadino.

O “Caso Toy” tem justamente a ver com a voluntariedade com que se assume um nome horrível. Lamento a sorte de outros tantos pobres coitados que tiveram de aceitar a infeliz e madrasta designação que progenitores e padrinhos sádicos lhes impuseram. É o caso de Zacarias, antiga estrela poveira que agora espalha magia nos tigres da costa verde; de Hermes, brasileiro que encanta por terras de Avelino Ferreira Torres; Riça, o matador transmontano de Vila da Feira e que tem um nome sempre a propósito quando se trata de fazer quadras brejeiras de S. João; Mamadi pobre Guineense, que também defende as cores feirenses e que deve aturar anos consecutivos de boçais companheiros de profissão a apelidá-lo de Mamaki; Sardinha defesa da Naval 1º de Maio, ou mesmo Boiças, avançado cabo-verdiano do Portimonense. A infelicidade de ostentar semelhante nomenclatura pós-moderna será a razão da não subida destes homens ao escalão maior? O que tem feito o sindicato relativamente a este problema?!

Já não se lamenta a sorte dos seguintes pós-modernos que voluntariamente assumiram uma designação eivada de ridículo: Comboio (aka João Dinis - Alverca). Porquê? É rápido? Chega sempre atrasado?; Apita duas vezes? Pituca (aka Flávio Vitoriano - Portimonense). Pituca?! Pituca porquê? Será uma mistura de Pito com Nuca? Será uma homenagem ao seleccionador romeno de há uns tempos? Para que se põe um pito na nuca?; Pesquinha (aka Carlos Santos – Naval). E já agora porque não Pescona? Será que o homem quando vai pescar só apanha jaquinzinhos? Kikas (aka Paulo Neves – Ovarense). E porque não Fifi? Ou Lili? Ou Magui? Ou mesmo Mariazinha?; Sozé (aka José Silva - Gondomar). Das duas uma: ou o homem é admirador do famoso bruxo, ou está finalmente descoberto que o Kevin Spacey está inocente nos “Suspeitos do Costume”. Kaiser Sozé está vivo e joga à bola em Gondomar.

Enfim, a pós modernidade do nome tanto pode resultar de um fatalismo atávico (machado), como de uma voluntária declaração de vontade, uma verdadeira assunção do ridículo que faria Ionesco corar de vergonha.

E agora calo-me, que já falei demais. Viva o Futeblog-total. Viva a Pós-modernidade.

* Noventa e oito por cento da conferência proferida pelo Sr. Prof. Dr. Nicolau Zebedeu, PhD., MbA., UmM. Os restantes dois por cento, constituidos por ataques pessoais a George Hagi, foram suprimidos. O caso encontra-se entregue à Justiça.

4.7.05

DISCURSO DE ABERTURA DO SIMPÓSIO COMEMORATIVO DO SEGUNDO ANIVERSÁRIO DO FUTEBLOG-TOTAL





Por Augusto Justo, Chairman

Exmo Senhor Professor Doutor José Gil,
Exmo Senhor Professor Quarlos Eirós,
Excelsas Individualidades,
Caros Vultos do Pós Modernismo,
Ilustríssimos Simposiantes,
Mui querida Assistência Pós Moderna,
Lyotardianos e Lyotardianas em geral,
Pessoas,
Minhas Senhoras e Meus Senhores:



Dois Anos de Futeblog Total!

(salva de palmas em pé, com desmaios dos mais vulneráveis, durante um quarto de hora. Algém não identificado disparou dois tiros)

É caso para dizer “quem diria!”

Quem diria que, há precisamente dois anos, moi même, o Quarlos e os irmãos Monteirinho, esplanadando num bar obscuro em Novosibirsk, iríamos estar aqui hoje, depois de setecentos e trinta dias de reflexão, de exposição, de crítica, de debate e de denúncia dos casos mais flagrantes do pós modernismo no futebol lusitano. Quem diria, pois, que estaríamos todos aqui a comemorar aquela que foi uma ideia um tanto ou quanto "dádá".

E quem diria, também, que os irmãos Monteirinho nos iriam abandonar, que Aurárcio Mélio se iria retirar da vida pós moderna activa (se bem que disse que iria fazer apenas uma pausa) e, mesmo assim, nós iríamos conseguir continuar a pós modernizar por aí.

Consinta-me por isso, senhor Professor Doutor José Gil, digníssimo presidente da mesa deste Simpósio, que embora ao arrepio do rigor das normas protocolares faça alusão, à presença nesta sala, e para mim gratificante, do meu grande amigo, quiçá até Pai, Quarlos Eirós, que no exercício da direcção deste weblog de confronto de ideias e de reflexividade colaborou, no possível e no impossível, nesta nobre causa, sem nunca virar o digníssimo trombil.

Daqui lhe expresso o agradecimento público que lhe é efectivamente devido e que, em consciência, não poderia omitir porque sou dos que sustentam que o pós modernismo também é feito de bons sentimentos - e o da gratidão é um deles - que devem preceder e estar acima das lógicas e das regras da geometria protocolar.

Dirijo-me especialmente a V. Exa, senhor Professor Doutor José Gil, presidente da mesa deste Simpósio, para declarar que nos honra o facto de V. Exa ter-se disposto presidir a esta sessão solene de abertura das nossas Jornadas, circunstancia que para além de nobilitar, no plano formal, este encontro, confere-lhe especial dimensão no contexto das nossas relações institucionais, sejam elas quais forem. É caso para cantar, com os Rio Grande, “muito mais é o que nos une / que aquilo que nos separa”.

Dirijo-me, outrossim, a V. Exa na qualidade de filósofo e pós moderno de prestígio, bem como guia espiritual de uma certa portugalidade que abarca, como é óbvio, o pós modernismo no futebol, para lhe dizer, precisamente, que é este medo de existir – não tão só do nosso Portugal, mas também do dito pós modernismo no desporto rei – que faz com que estejamos hoje aqui reunidos para diatribá-lo, para dissecá-lo através brilhantes conferências que teremos o prazer de escutar. É para isso que estão aqui os melhores pensadores do pós modernismo no futebol. Para isso e para o jantar no Sol e Chuva (já agora, vai passar aí uma folhinha, os senhores simposiantes, se não se importavam, assinalavam se querem carne ou peixe, para os senhores do restaurante irem adiantando as doses; obrigado.)

Caros Pós Modernos,
Este simpósio pretende apenas realçar alguns aspectos que me parecem relevantes no vasto leque de questões que se levantam ao pensarmos o pós modernismo no futebol.
É tempo de começar a pensar nesta forma de reflexão como um poderoso instrumento do desenvolvimento, num futuro imediato, da filosofia e do desporto rei. Um instrumento que não se compadece com o ritmo actualmente existente no sector filosófico e crítico português. É preciso chegar mais longe! Tomemos como meta aquilo que de melhor se faz nos sistemas pós modernos mais evoluidos. No entanto, minhas senhoras lyotardianas e meus senhores lyotardianos, só chegaremos lá quando formos capazes de interiorizar e pôr em prática uma verdadeira cultura de pós modernismo, feita de empreendimento e de risco. E esta, não fazendo parte do nosso passado comum, tem necessariamente que começar a fazer parte activa do nosso presente, para bem do futuro do nosso futebol, da nossa filosofia. Sem medo de existir.

(Outra ovação demorada)

Em nome de todos os que fizeram e fazem este FUTEBLOG TOTAL, muito obrigado, muitos parabéns ao blog, aos seus inteligentes leitores e muito boa conferência a todos.

(Mais palmas e um pós moderno arriscou um duplo mortal mal sucedido)

No final dos trabalhos, o pessoal da discoteca vai distribuir aí umas pulseirinhas para podermos todos beber à pala.

(Ovação final de cinco minutos, com a plateia em pé.)

3.7.05

AS COMEMORAÇÕES, O SIMPÓSIO E A SURPRESA

Depois do retumbante sucesso comemorativo do segundo aniversário desta ágora, segue-se uma semana de assinalável e profícua produção intelectual em prol do pós modernismo. É com desmedido orgulho que anunciamos a publicação na íntegra das conferências proferidas durante o Simpósio "Pós Modernismo no Futebol Ou o Medo de Existir". Assim, durante a semana que se avizinha, os leitores poderão estoirar neurónios a ler as alocuções de grande calibre pós moderno que foram proferidas no supracitado simpósio. Para o final de Setembro está previsto o lançamento do livro "Estudos em Homenagem ao Professor Augusto Justo", editado pela Imprensa da Universidade da Pampilhosa.
Um amplexo iníquo,
Quarlos Eirós.

SEGUNDO ANIVERSÁRIO DO FUTEBLOG TOTAL
Montalegre foi a cidade escolhida para acolher as comemorações do segundo aniversário do FUTEBLOG TOTAL. A festança decorreu, como é hábito, de forma majestosa, orgiática e apocalíptica. Um simpósio com oradores de excelência, uma salva de dois tiros, um jantar faustoso e opíparo, um jogo de futebol rasgadinho e dois concertos supinos, seguidos de uma portentosa festa de encerramento, sublinharam a tendência para a sumptuosidade pós moderna desta vasta equipa académica que, desde há dois anos, pensa o futebol como poucos. Só faltou a concentração de Lyotardianos Motards, que foi adiada para o Natal. Aqui fica uma resenha visual e narrativa dos grandes momentos da noite.


Abertura do simpósio “PÓS MODERNISMO NO FUTEBOL OU O MEDO DE EXISTIR”, com uma alocução de boas vindas pós modernas proferida pelo Doutor Augusto Justo, precedida de uma actuação do Coro de Confucionistas de Pequim.



Aurárcio Mélio (levou uma salva de palmas de 8 minutos, até começar a chorar) no discurso de agradecimento pela Medalha de Mérito Dionisíaco, atribuída pela Associação de Nietszchianos de Trás Os Montes.


Quarlos Eirós, visivelmente alterado, durante a sua conferência dupla, denominada “Prolegómenos do Pós Modernismo no Alverca – O Medo de Descer” seguida de "O que é a Ciência? Por Alma de Quem é que o Futebol é uma Ciência Ilógica?"


George Hagi foi a grande estrela da noite: discursou em romeno durante uma hora, sobre “Modernismo e Pós Modernismo nas balizas do Steaua de Bucareste: Duckadam e Sílvio Lung”. Despediu-se com um portentoso ceausescu.


Magi Hagi visivelmente incomodado com os ataques pessoais que lhe foram lançados pelo orador Nicolau Zebedeu.


Uma cambada de jovens pós modernos assiste, com particular atenção, à prelecção de José Cavra.


Augusto Justo, de sorriso amarelo, posa ao lado de Zing Chiao Long, um pós moderno pequinês, que fez a viagem Pequim-Montalegre de triciclo, em homenagem a este blog e ao pós modernismo em geral.


Magnífico jantar servido pelo restaurante Sol e Chuva. A ementa foi composta por Ossinhos da Suã e Bacalhau à Sol e Chuva.


Depois do jantar, já com todos bem regados e empanturrados, seguiu-se o habitual jogo de futebol entre Lyotardianos e Nihilistas. Nesta imagem, Augusto Justo é violentamente ceifado por José Meirinho, num ajuste de contas que envolve mulheres, um relógio de corda de marca suiça, existencialismo dinamarquês e Marcel Proust. Esta falta acendeu o rastilho entre os adeptos de ambas as equipas.


Os adeptos Lyotardianos não gostaram que José Gil (árbitro) não sancionasse Meirinho com um cartão vermelho directo e arremessaram petardos para o relvado. A tensão nas bancadas aumentava e o jogo foi prontamente interrompido.


Contudo, a batatada passou do campo para as bancadas. Na imagem, Lyotardianos e Nihilistas trocam picardias, naifadas e argumentos pós filosóficos, numa lamentável – e demorada – cena de pugilato pós moderno, também ela acicatada por discussões críticas sobre Shoppenhauer, que já se tinham iniciado durante o jantar.


Serenados os ânimos, a pleíade de pós modernos rumou à discoteca night club “Armindu’s” para assistir a dois concertos. Na imagem, Johnny Kincade, que deliciou a multidão com versões aparentemente "rockabilly" de A Era do Vazio, de Gilles Lipowetsky.


O Pós Rock dos Derridas foi o momento alto da noite, com o vocalista Emile Benveniste Jr a arrebatar a multidão com o clássico “Nietszche Me, My Love”. Conseguiram agradar a todos, inclusive a José Gil (que só gosta de Heavy Metal).


Gertrudes Steiner Eirós e Idalécia Justo, bastante alcoolizadas, compatibilizam-se depois de violenta diatribe sobre a dialéctica hegeliana.


Quarlos Eirós, completamente afundado em barbitúricos e álcool, tenta engatar uma existencialista de Montalegre.

E AÍ VÃO DOIS
Dois longos e penosos anos de pós modernidade. Pungentemente, ainda não sabemos o que ela é, nem tão pouco como se aplica no futebol. O que é certo é que no dia 3 de Julho de 2003, começou esta aventura na blogosfera: Augusto Justo, Quarlos Eirós, os irmãos Q. e W. Monteirinho, depois Aurárcio Mélio e José Meirinho foram sistematizando pensamentos dispersos, investigando aporias e assinalando axiomas. E é acompanhados pelo pungente toar da melopeia de Satie que dizemos obrigado a todos aqueles que leram todos estes opúsculos (aos que não leram apenas um simples bem haja), bem como deixamos um sentido abraço a todos os que mais recentemente, nos foram incentivando a continuar a nossa missão. Uma obrigados especialíssimo, por isso, aos amigos da Malta da Tropa, do Dragão, do Cimbalino, do À Deriva, das Blasfémias, do Pontapé Na Atmosfera, do Terceiro Anel, ao meu caro JPP, com quem discuti Peseiro, Heiddeger e Carlos Brito, ao Sínico, ao D. Afonso Henriques, ao Algarve Desunited, aos outros académicos que não nós, ao Vilacondense, ao Mar Vermelho, ao grande pós moderno que é o El Gato Perez, ao Futebol de Ataque, ao Diário de um Adepto Benfiquista, à melodia dos Violinos, ao Dactilógrafo, à lendária e temível A.D. Fafe, ao Bloguítica, que também está de parabéns pela mesma proveta idade que nós, à Gabardina, ao Vidro Azul e aos restantes que ficam abrangidos por um esquecimento momentâneo.
Cá continuaremos a pugnar por mais pós modernidades e a consumir, excessivamente, bifanas no Bigodes, na A1.
Um portentoso bem hajam,
Augusto Justo
Quarlos Eirós
Q. e W. Monteirinho, em Novosibirsk
Aurárcio Mélio, na reforma
José Meirinho